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Sebo bovino – A matéria-prima é cada vez mais estratégica na cadeia produtiva do biodiesel

Desde o ano passado e início deste ano, as decisões do governo brasileiro quanto à porcentagem do teor do biodiesel no diesel deixaram o mercado brasileiro de biodiesel apreensivo e bastante insatisfeito. Ao longo de 2021 a mistura variou entre 13% (B13), 12% (B12) e 10% (B10), alegando a questão da conjuntura internacional, que provocou o aumento significativo do preço do óleo de soja, aliado à desvalorização cambial, gerando o aumento do preço do biodiesel a patamar muito superior ao preço do diesel. O governo brasileiro reafirmou sua decisão de manter em 10% o teor de biodiesel no diesel ao longo de 2022, mas as indústrias de biodiesel e de soja – esta última considerada a principal matéria-prima do biodiesel – ainda buscam uma reversão da medida. Lembrando que segundo o cronograma estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na resolução 16/2018, o percentual de biodiesel adicionado ao diesel teria aumentos gradativos até atingir 15% em 2023.

Segundo dados da ABRA – Associação Brasileira de Reciclagem Animal, a quantidade de sebo bovino na produção de biodiesel no Brasil varia de 13% a 15% ao longo do ano. Em 2021, a participação média chegou a ser de aproximadamente 13%, maior percentual dentre outros tipos de gordura animal, como as de frango e de porco, que representaram cerca de 1% e 2%, respectivamente. A produção do setor está diretamente relacionada ao movimento de abate de animais no Brasil.

O que dificulta que esta gordura animal ganhe ainda mais relevância na produção do biocombustível, explica Decio Coutinho, Presidente-Executivo da ABRA é o acompanhamento que a produção do setor tem em relação ao número de abate. “As matérias-primas de origem animal que são utilizadas na produção de biodiesel resultam da produção da cadeia da carne. Quanto maior a produção de carne e consequente de abate animal, maior será a disponibilidade de matérias-primas de origem animal. Sendo assim, quando há um desabastecimento da cadeia da carne, consequentemente afeta também o mercado de biocombustível, em razão da limitação da oferta de matéria-prima de origem animal.”

Sobre os impactos no setor com a redução do governo brasileiro na porcentagem de biodiesel misturado ao diesel fóssil para o ano de 2022, o representante da ABRA afirma que o mercado vem sendo prejudicado. “Quando foi montado o cronograma, as indústrias se prepararam para atender a demanda prevista dentro do que foi determinado pelo governo. A ABRA vem participando intensamente do debate tanto junto à Casa Civil, quanto no grupo que está sendo formado pela CNI. Nos posicionamos contrários à redução, assinamos por meio da Câmara Setorial de Oleaginosas e Biodiesel, do Ministério da Agricultura o ofício do posicionando e pedindo a manutenção do cronograma pré-estabelecido. Vale ressaltar que pode haver cisão da cadeia de fornecimento já construída em razão da diminuição do consumo. Desta forma, diante das reversões de aumento da mistura promovido pelo Renovabio, novos contratos de fornecimento deverão ser refeitos, diante de uma oferta já destinada a outros mercados, ou seja, será necessária novas negociações e atrações de ofertas de gordura de origem animal ao mercado de biodiesel”, analisa Decio.

Em relação às projeções e expectativas para o uso do sebo bovino na produção de biodiesel para os próximos anos, a ABRA prevê um aumento gradual da produção dessa matéria-prima e de seu uso na mistura do diesel, tendo em vista o tamanho expressivo do rebanho bovino brasileiro. “Além disso, as políticas públicas voltadas ao pequeno produtor, como o Selo Combustível Social (conjunto de medidas específicas que visa estimular a inclusão social da agricultura nessa importante cadeia produtiva), bem como o Selo Carbono Zero (destinada aos produtos que não deixam pegadas de carbono no processo produtivo) também favorecem o aumento do uso do sebo bovino na produção do biocombustível.”

Boas expectativas em relação ao futuro do mercado
Comercializando 10 mil toneladas por mês de sebo bovino, a Aboissa tem expectativa de crescimento de negócios nesta área de biodiesel, mesmo com as sanções do Governo na redução da mistura com o diesel, afetando a produção nas usinas. “A concorrência está bastante acirrada, devido à queda no abate bovino. Para continuarmos competitivos levamos sempre as melhores informações do mercado, com muita rapidez e de fontes confiáveis e ativas no mercado, buscando sempre um maior conhecimento por meio de estudos, participação em feiras e eventos”, analisa Thiago Oliveira, Operador de Negócios da Unidade Animal Profat da Aboissa.

Thiago afirma que o desempenho do consumo sebo bovino internamente é excelente, já que o Brasil consome, praticamente, toda a produção. Em relação à exportação brasileira do sebo bovino não é recorrente, geralmente acontece quando uma série de fatores se alinham tornando o negócio favorável, por exemplo, na ocasião em que cai o preço do óleo de soja, a cotação do dólar e a demanda é menor. “Internamente temos a expectativa de que o mercado cresça ainda mais já que assistimos grandes investimentos por parte das indústrias de produção de carne e das indústrias de higiene e limpeza e, claro, biodiesel, todos considerados grandes consumidores dessa matéria-prima”, planeja.

Produção de 35 mil litros de sebo por dia

Tendo na indústria de biodiesel um dos seus principais clientes, a Spironelli produz aproximadamente 35 mil litros de sebo bovino por dia, seguindo as exigências de fabricação das indústrias de produtos alimentícios, assegurando assim uma gordura de padrão superior, baixo índice de acidez, umidade e impurezas, atendendo exclusivamente o mercado interno. “A indústria de biodiesel se tornou uma grande consumidora de sebo no País, assegurando o preço do produto no mercado interno. Há 15, 20 anos quem ditava as normas era o segmento de sabões, tornando seu valor vulnerável à demanda. Com a utilização de sebo na indústria de biodiesel, seu preço ainda que seja uma commodity, passou a ser valorizado, pois abriu uma nova oportunidade mercado equiparando-se ao óleo de soja”, esclarece Ana Lucia Garcia Spironelli Quintiliano, Gerente de Negócios da Spironelli e Cia Ltda.

Ainda sobre a demanda do sebo bovino, Ana Lucia, explica que a gordura animal tem diferentes aplicações como rações pets, saboarias, além da indústria de biodiesel, sempre com o preço vinculado ao óleo de soja. “O consumo nesses setores também obedece a essa relação e trabalhamos com a lei da oferta e procura, atendendo a todos como clientes preferenciais.”

Com uma expectativa bastante positiva em relação ao futuro do negócio, a Spironelli pretende continuar oferecendo um produto de qualidade. “Estamos procurando diversificar os negócios com produtos à base no sebo bovino, pois sendo uma matéria-prima de origem orgânica e renovável há um universo de oportunidades sustentável para trabalhar”, conclui Ana Lucia.

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REVISTA RECICLAGEM ANIMAL – GRAXARIA BRASILEIRA.

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