Dona das marcas Sadia e Perdigão reporta prejuízo de R$ 167,3 milhões.
BRF foi impactada pela Operação Carne Fraca, deflagrada em março.
A BRF (São Paulo/SP), dona das marcas Sadia e Perdigão, anuncia seu terceiro prejuízo trimestral seguido. A empresa reportou nesta quinta-feira (10) um prejuízo líquido de R$ 167,3 milhões no segundo trimestre.
No mesmo período de 2016, a companhia havia lucrado R$ 31 milhões. A receita líquida da BRF somou R$ 8 bilhões, redução de 5,7% na comparação anual.
Uma justificativa para este resultado foi o impacto que a empresa sofreu pela Operação Carne Fraca, que ocasionou perdas de R$ 117 milhões. Diante disso, a companhia também amargou uma diminuição de quase 40% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês).
Entre abril e junho, a BRF registrou um Ebitda de R$ 575 milhões, ante R$ 944 milhões no mesmo período de 2016. Com isso, a margem Ebitda da empresa caiu 3,9 pontos na mesma comparação, ficando em 7,2%.
A queda do Ebitda teve reflexos negativos nos índices de endividamento da BRF. No fim de junho, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda em doze meses ficou em 4,90 vezes, ante 4,24 vezes em 31 de março.
No relatório que acompanha o balanço, a companhia reconheceu que o atual índice de alavancagem está “bem acima” do nível considerado ideal, de 2 vezes a 2,5 vezes.
O balanço do segundo trimestre destacou a reversão da trajetória de perda de participação de mercado no Brasil. No período, houve ganho de 0,8 ponto percentual, com destaque para os embutidos, cuja fatia aumentou 3,5 pontos percentuais, o que pode ser visto como um avanço sobre a Seara, da JBS. No entanto, nem todas as categorias tiveram bom desempenho. Em pratos prontos, a BRF perdeu 2,7 pontos percentuais.
Nesse contexto, o conselho de administração da BRF autorizou a empresa a vender até 13,4 milhões das ações que possui em tesouraria para fazer caixa. Aos valores atuais — as ações da BRF fecharam hoje a R$ 39,00 —, poderá obter até R$ 525 milhões com a venda desses papéis. Paralelamente, o conselho da BRF também autorizou a empresa a firmar contratos de swap (troca de riscos entre duas partes) com um banco em valores equivalentes aos das ações em tesouraria.
Na prática, a BRF quer evitar que a venda das próprias ações seja vista como um mau negócio, uma vez que a companhia adquiriu as próprias ações no mercado a preços mais elevados, o que chegou a gerar descontentamento em alguns conselheiros.
Fonte: Valor Econômico