FEIRA E WORKSHOP EM SP COM APOIO DA EMBRAPA
Debates marcantes no Workshop sobre regulamentação ambiental
A questão ambiental e as legislações sanitárias que regem o setor de farinha e sebo animal foram objetos de intenso debate no IX Workshop Sincobesp/Embrapa, evento paralelo à V Fenagra, realizados dias 25 e 26 de março na Fecomércio, em São Paulo.
Participaram do debate, o presidente do Sincobesp Gustavo Razzo Neto e a diretora jurídica da entidade Valdirene Paes; o secretário da Câmara Ambiental do Setor de Abate, Frigorífico e Graxaria, Armando Carlos Brandini, da Cetesb; a advogada Adriana Fixel, especializada em meio ambiente; a responsável pelo projeto de educação ambiental da Grande Rio Riclagem Ambiental, Alessandra Caline, e o consultor de empresas Cláudio Domingos da Silva, da Conexão RH.
Armando Brandini, da Cetesb, disse que, no Estado de São Paulo, as fontes de impacto não podem passar de alguns metros no caso de indústrias de graxarias, e que o problema muitas vezes pode ser resolvido pelos municípios. “Até agora, 15 municípios assinaram acordo de licenciamento ambiental com a Cetesb”, anunciou. Ele disse que o setor de graxarias está engajado em desenvolver processos ambientais mais corretos, mas que existem ainda alguns problemas envolvendo coletores clandestinos.
Adriana acha interessante o controle ambiental, adensamento de fontes e ação pró-ativa dos empreendedores, e que a política de produção mais limpa no setor de graxarias traz ganhos para toda a sociedade. Ela aplaudiu a ação da Cetesb, disse que seu Estado, o Rio de Janeiro, precisa de uma Câmara Ambiental nos moldes da existente em São Paulo, mas questionou quais os resultados que esse investimento traz para a contabilidade das empresas.
“Os empreendedores que se adiantaram às legislações, que praticam métodos mais limpos de produção, terão algumas facilidades na hora de obter ou renovar suas licenças? Por que não privilegiar as empresasque ajudaram os órgãos ambientais e a sociedade?”, perguntou.
Sobre renovação de licenças, a advogada acha reduzido o período de 2 anos para que a empresa apresente plano de melhoria ambiental. “As empresas investem milhões de dólares em máquinas e processos e não podem ter um tempo curto para receber OK dos órgãos ambientais. Acho que falta compromisso compartilhado”, disse Adriana.
O presidente Razzo Neto concorda. “Somente o custo de instalação de uma máquina, incluindo periféricos, é de até 80% do preço do equipamento”. Valdirene Paes disse que a questão do prazo de renovação estará na próxima pauta da Câmara Ambiental do Setor de Abate, Frigorífico e Graxaria.
Armando Brandini lembrou que os empreendedores podem apresentar, em dois anos, projeto de licenciamento ambiental válido por 5 anos. Ele acha que ainda falta investimento na capacitação do pessoal para práticas mais limpas, “pois muitas vezes as máquinas, mesmo com toda a tecnologia embarcada, não resolvem os problemas”.
No final, o presidente do Sincobesp apresentou imagens com práticas incorretas de coleta de subprodutos de origem animal, feitas por coletores clandestinos, e disse que a denúncia trouxe problemas para ele. “Mas não tenho medo, isso tem que acabar”, afirmou.
Sincobesp poderá ter regionais no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul
O presidente do Sincobesp Gustavo Razzo Neto anunciou durante o encerramento da V Fenagra e do IX Workshop Sincobesp/Embrapa, que a entidade está negociando a abertura de uma diretoria regional no Rio de Janeiro, outra no Rio Grande do Sul e, futuramente, em outros estados.
A decisão agradou o 2º vice-presidente do Sincobesp e diretor-geral da Celgon Agroindustrial Robinson Henrique Huyer, do Rio Grande do Sul, e Alessandra Caline responsável pelo projeto de educação ambiental da Grande Rio Reciclagem Ambiental.
“As cinco empresas de graxarias gaúchas respondem por 70% das aproximadamente 13 mil toneladas/mês de resíduos coletados e beneficiados. Com a regional, teremos mais representatividade no Estado”, disse Huyer. Para Alessandra, o Rio de Janeiro pode ter um fórum de diálogo entre o setor produtivo e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a exemplo do que acontece em São Paulo com a Cetesb, visando desenvolver regulamentações e métodos operacionais ambientalmente corretos para as graxarias.
A Celgon, com planta no município gaúcho de Alvorada, processa 40 mil toneladas/ano de matérias-primas para suprir as indústrias químicas gaúchas na produção de sabão e sabonetes. Para ajudar a preservar o meio ambiente, a empresa está implantando o projeto de coleta de óleo de fritura junto a restaurantes, supermercados, grandes empresas e condomínios, para evitar que o produto contamine o solo, esgotos e os rios da região.
Graxeiros devem se preparar para aumentar exportações
O consultor técnico do Sincobesp Alexandre Ferreira disse no IX Workshop Sincobesp/Embrapa, que, apesar de o Brasil não ser um tradicional exportador de farinha e sebo animal – o mercado interno é forte consumidor –, as empresas de graxarias devem se preparar para as oportunidades que se abrem no mercado internacional, se adequando às regulamentações dos países compradores. O País exporta 60 mil toneladas/ano de farinha – só 1% do que produz.
“Temos uma grande produção de subprodutos de origem animal, nossas matérias-primas são de qualidade, competitivas, e, ao contrário dos europeus, que sofrem restrições por causa da ‘vaca louca’, temos risco baixo de contaminação. Só é preciso cumprir as legislações sanitárias internacionais”, afirmou, ao falar sobre oportunidades de exportações.
Ferreira lista oportunidades em países do Oriente Médio, Extremo Oriente e Chile. Para o mercado chileno, as facilidades serão abertas com a iniciativa do Sincobesp, que assumiu o papel de coordenação da Missão Veterinária do Chile, auditando empresas brasileiras interessadas em exportar farinhas de origem animal. Essa ação envolve a garantia de qualidade dos produtos, segurança alimentar, padrões técnicos, regulamentação e acordo sanitário entre os dois países.
Para facilitar ainda mais os negócios com clientes internacionais, o presidente do Sincobesp, Gustavo Razzo Neto anunciou na feira uma parceria da entidade com a Word Rendering Association, associação mundial de graxarias, visando o intercâmbio e adequações a legislações sanitárias.
Outra questão que inibe o graxeiro é o câmbio, atualmente desfavorável. Apesar disso, Ferreira recomenda: os empresários devem manter alguma exportação, para se garantir contra as oscilações dessas commodities no mercado interno, hoje com preços em queda.
Pesquisa mostra a satisfação dos expositores da Fenagra
Durante a V Fenagra, realizada nos dias 25 e 26 de março na Fecomércio, em São Paulo, a Mecânica de Comunicação, assessoria de imprensa responsável pela divulgação do evento, fez uma pesquisa com 35 expositores, para medir os resultados e a satisfação das empresas.
Dezesseis empresas responderam a cinco perguntas do questionário: Aboissa, Aligra, Alpha Link, Btech, Chibrascenter, Dupps/Intecnial, Fast Indústria, Hollbras, Ixon – Qualitec, Julian Máquinas, Marco Botteon, Martec, Permecar, Thor Máquinas, Tremesa Brasil/Haarslev, Weir Minerals.
Á pergunta, “com qual expectativa participou da Fenagra 2010”, a maioria – 14 empresas – respondeu que era para marcar presença junto aos clientes, pela oportunidade de parcerias e para prospectar novos negócios. Um dos expositores disse que sua expectativa foi modesta, por participar pela primeira vez da feira.
Outra questão, se “foi bom o número e a qualidade das visitas ao seu stand”, dividiu a opinião dos expositores, mas o saldo foi positivo. Para mais de 50%, a qualidade dos visitantes “foi boa”. Um considerou “excelente”, outro que foi “maravilhoso” e dois consideram “acima das expectativas” Três deles disseram que a qualidade foi “razoável” E cerca de 20% enalteceram a visita de representantes de graxarias internacionais.
Quanto a fechar negócios na feira, 5 expositores responderam positivamente, 3 inclusive revelaram os valores de contratos, e 7 entabularam contratos futuros. Quatro deles não abriram nenhum negócio. Entre as empresas que participaram da V Fenagra, 3 apresentaram novidades. A maioria mostrou produtos, serviços e equipamentos já conhecidos do mercado.
Sobre expectativas para a feira de 2011, a maioria foi positiva, desde a importância de sempre manter presença no evento e prospectar novos clientes, até a promessa de lançamento de novidades para 2011. Pelo menos 50% esperam a expansão da Fenagra, com maior presença de expositores, visitantes e expectativa de realização de novos negócios.
Imprensa cobriu realização dos eventos.
A V Fenagra e o IX Workshop Sincobesp/Embrapa tiveram ampla cobertura da imprensa. Alá da “Revista Graxaria Brasileira”, também a “Feed & Food”, dirigida a toda cadeia de produção de proteína animal, e a “Terra Viva”, voltada ao agronegócio, enviaram repórteres para a cobertura do evento, assim com a La Gazzetta Italo-Braziliana (Rio de Janeiro).
Também houve destaque em jornais, como no caderno de economia da “Folha de S. Paulo”, e em outros do Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Na televisão, nos canais “TV Terra Viva”, na TV da “BM&F” e Canal Rural. Neste último, foram duas participações ao vivo no primeiro dia da feira, 25/3. No programa “Bom Dia Campo”, o consultor do Sincobesp Alexandre Ferreira, falou do mercado de farinha e gordura animal e da expectativa da feira e do workshop. À tarde, o engenheiro e consultor Max Maia Neto discorreu sobre a utilização do sebo na produção de biodiesel e das oportunidades das graxarias nesse mercado de combustível verde.
No dia 18/3, o diretor do Sincobesp Rodrigo Giglio também participou, ao vivo, do programa “Dia a Dia Rural”, da TV “Terra Viva”. O diretor explicou todo o processo de coleta e industrialização dos subprodutos e a destinação dessas matérias-primas para as indústrias de pet food, beleza, limpeza, artesanato e biodiesel. No dia 22/3, Rodrigo participou, também ao vivo, de uma entrevista no programa “Mercado Futuro”, da TV BM&F.
Maiores Informações: www.fenagra.com.br










